sábado, 25 de janeiro de 2025
Se Amar Primeiro: A Jornada da Autocura e do Amor Próprio
domingo, 19 de janeiro de 2025
MAR ( II )
MAR ( I )
Eu fui concebida no mar,
nas águas que embalavam os sonhos
antes mesmo de serem meus.
Ali, entre correntes e brisas,
uma vida começou,
moldada pela calma das marés
e pela força do infinito.
Eu nasci onde a espuma beija a areia,
e o horizonte é sempre uma promessa.
Minha infância foi de pés descalços e sal na pele,
de correrias pela beira-mar,
onde as ondas sussurravam segredos
que só as crianças podiam ouvir.
As conchas eram minhas irmãs,
cada uma trazendo histórias em suas curvas.
As algas, minhas guardiãs,
se enroscavam em meus tornozelos
como quem diz: "Fique, você pertence a este lugar."
E o Baiacu…
Ah, ele era meu cúmplice, meu pequeno amigo.
Eu o segurava nas mãos,
sentia sua barriga inflar como um balão,
e com um sorriso, o devolvia ao seu mundo,
sabendo que ele voltaria para mim.
Minha casa era o azul que não termina,
onde o céu e o mar se encontram
sem nunca se separar.
Minha mãe, invisível aos olhos,
se fazia presente em cada onda,
em cada brisa que acariciava meu rosto.
Ela me ensinou que o mar é vida,
e que eu sou feita da mesma água
que se renova a cada maré.
Hoje, quando olho para o oceano,
vejo um reflexo de mim mesma.
Não importa quão longe eu vá,
o mar é minha raiz,
minha casa, meu lar eterno.
Gracciene Farias
sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
terça-feira, 31 de dezembro de 2024
domingo, 29 de dezembro de 2024
Chico Rei: Um Símbolo de Resistência, Liderança e Superação no Brasil Colonial.
As Origens no Reino do Congo e o Reinado de Galanga
Chico Rei, ou Galanga, é uma das mais emblemáticas narrativas de resistência e superação durante o período colonial brasileiro. Embora envolta em elementos lendários, sua trajetória reflete a luta pela liberdade e a preservação da identidade cultural africana em terras estrangeiras.
Galanga, antes de ser conhecido como Chico Rei, foi um monarca respeitado no Reino do Congo, um dos mais poderosos e organizados reinos africanos da época. O Congo destacava-se por sua rica estrutura política, onde o rei (ou "mani") governava com o apoio de uma corte composta por chefes regionais e conselheiros. Galanga era não apenas um líder político, mas também espiritual, atuando como mediador em conflitos, protetor das tradições e defensor da justiça para seu povo.
O Reino do Congo vivia uma prosperidade baseada no comércio de marfim, cobre e outros bens, mas também enfrentava ameaças constantes de incursões estrangeiras. No século XVIII, o tráfico de escravizados intensificou-se na região, resultado de parcerias entre europeus e líderes locais que, sob coerção ou em busca de benefícios econômicos, participavam da captura de suas próprias populações.
A Captura e a Viagem ao Brasil
Em uma das muitas incursões organizadas por comerciantes portugueses, Galanga, sua família e parte de sua corte foram capturados. A captura de membros da realeza era especialmente lucrativa, uma vez que eles costumavam ser vendidos por valores elevados devido à sua posição social. O destino traçado para Galanga e os seus era cruel: seriam levados ao Brasil, onde enfrentariam os horrores da escravidão.
Durante uma cerimônia religiosa, Galanga, e parte da sua família foram capturados em uma emboscada organizada por traficantes portugueses, um evento trágico que marcaria o início de uma jornada de sofrimento e resistência. Ele, sua esposa Djalô, sua filha Itulo, e seu filho xxx e outros súditos foram embarcados em um tumbeiro (navio negreiro) rumo ao Brasil.
A captura de membros da realeza era especialmente lucrativa, uma vez que eles costumavam ser vendidos por valores elevados devido à sua posição social.
A travessia pelo Atlântico a bordo dos navios negreiros, conhecidos como tumbeiros, representava um dos capítulos mais sombrios da diáspora africana. Homens, mulheres e crianças eram amontoados em porões apertados, sem ventilação ou condições mínimas de sobrevivência. Doenças como escorbuto, disenteria e febres eram comuns, e as mortes durante a viagem eram frequentes. A superstição dos marinheiros muitas vezes agravava o sofrimento dos cativos. Durante uma tempestade, Galanga assistiu impotente à sua esposa, a rainha Djalô, e sua filha, a princesa Itulo, serem lançadas ao mar em um ritual macabro para "acalmar os deuses".
A Chegada ao Brasil e o Recomeço em Vila Rica
Em 1740, Galanga desembarcou no Rio de Janeiro, onde foi rebatizado com o nome de Francisco, uma prática comum entre os escravizadores que buscavam apagar as identidades originais dos africanos cativos. Francisco e seu filho Muzinga foram adquiridos por um proprietário de minas e enviados a Vila Rica, hoje Ouro Preto, em Minas Gerais. Lá, passaram a trabalhar na Mina da Encardideira, explorando ouro sob condições desumanas.
Nas minas, o trabalho era árduo e extenuante. Os escravizados emfretavam jornadas de até 16 horas, em túneis úmidos e sem iluminação adequada, arriscando suas vidas em desabamentos e no contato constante com substâncias tóxicas. Além disso, eram submetidos a castigos físicos severos e privados de qualquer direito básico. O trabalho nas minas era extenuante e desumano, eram constantemente vigiados para evitar qualquer tentativa de fuga ou rebelião.
Mesmo sob condições extremas, Chico Rei destacou-se por sua inteligência e resiliência. Segundo relatos, ele utilizava estratégias para acumular pequenas quantidades de ouro. Uma das histórias mais conhecidas sugere que Chico escondia grãos de ouro em pó entre os cabelos e, ao final do dia, lavava-os para recuperar o metal. Apesar do risco, essa prática foi crucial para que ele conseguisse comprar sua liberdade e a de seu filho.
A liberdade, no entanto, não era o fim da luta. Já liberto, Chico Rei passou a trabalhar como homem livre, acumulando riquezas suficientes para adquirir a própria Mina da Encardideira, rebatizada como Mina do Chico Rei. Esse feito extraordinário permitiu-lhe alforriar outros escravizados, muitos dos quais eram seus conterrâneos do Congo, fortalecendo os laços de solidariedade e resistência entre eles.
Liderança Comunitária e Preservação Cultural
Reconhecido por sua liderança e carisma, Chico Rei tornou-se uma figura central na comunidade afrodescendente de Vila Rica. Sob sua orientação, os alforriados organizaram-se em torno da devoção a Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, figuras de grande importância para os negros no Brasil colonial. Em 1785, eles construíram a Igreja de Santa Efigênia, que se tornaria um símbolo da resistência cultural e religiosa dos afrodescendentes.
Além disso, Chico Rei desempenhou um papel crucial na preservação das tradições africanas por meio do Congado, uma manifestação cultural que mescla elementos da religiosidade africana com o catolicismo imposto pelos colonizadores. Essa celebração, que incluía danças, cantos e procissões, era uma forma de resistência e reafirmação da identidade cultural.
Legado e Importância Histórica
Chico Rei faleceu aos 72 anos, vítima de hepatite, mas seu legado perdurou. Seu filho, Muzinga, assumiu a liderança das celebrações do Congado, dando continuidade à tradição que Chico ajudou a estabelecer. Hoje, a história de Chico Rei é lembrada em diversas manifestações culturais e religiosas, como as festas do Congado e os desfiles em homenagem aos reis do Congo.
Embora sua existência não seja completamente documentada, Chico Rei tornou-se um símbolo de resistência e superação. Sua trajetória ilustra a capacidade humana de lutar por dignidade e liberdade mesmo nas condições mais adversas, inspirando gerações a valorizar a história e a cultura afrodescendente no Brasil.
Gracciene Farias
Referências
1. Reis, João José. A História dos Escravos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
2. Silva, Eduardo França. "Chico Rei e a Resistência Afro-Brasileira." Revista Brasileira de História, vol. 25, 2006, pp. 17-45.
3. Oliveira, Ana Lúcia Araújo. Memória e Esquecimento: Os Afrodescendentes no Brasil. Brasília: Editora UnB, 2008.
4. Moura, Clóvis. História da Escravidão no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.
5. Arquivo Histórico Nacional. Documentos sobre a mineração no século XVIII, Rio de Janeiro.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2024
segunda-feira, 23 de dezembro de 2024
É válido sentir.
Refletir, hesitar e desistir: o peso de amar hoje
segunda-feira, 16 de dezembro de 2024
domingo, 15 de dezembro de 2024
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
Na noite de 13 de novembro de 2024, Brasília foi palco de um episódio alarmante de violência. Um homem detonou uma bomba perto do Supremo Tribunal Federal, enquanto, quase simultaneamente, um carro carregado com fogos de artifício explodiu no estacionamento da Câmara dos Deputados. O caso, considerado um ataque coordenado, resultou na morte do homem e levou as autoridades a isolarem a área por precaução. As explosões ocorreram por volta das 19h30 e criaram pânico na Praça dos Três Poderes, destacando o risco de ações extremistas no coração das instituições brasileiras.Esse evento expõe o impacto e a gravidade do extremismo em uma sociedade democrática. Atos de violência como esse vão além de um protesto; eles representam uma tentativa de intimidação direta às instituições que sustentam o sistema democrático do país. Quando indivíduos recorrem ao terrorismo, demonstram uma ruptura com o diálogo e com as vias pacíficas de reivindicação, gerando um ambiente de medo que ameaça a estabilidade social.A resposta à radicalização que leva a esse tipo de violência deve ser firme e eficaz. Não se trata apenas de garantir a segurança física das instituições, mas também de preservar o próprio valor do diálogo democrático. Reagir a esses ataques implica não só um reforço na segurança, mas também uma reflexão sobre como evitar que a violência se normalize como instrumento político.
domingo, 10 de novembro de 2024
quinta-feira, 7 de novembro de 2024
Alto Boa Vista
quarta-feira, 6 de novembro de 2024
terça-feira, 5 de novembro de 2024
segunda-feira, 4 de novembro de 2024
sexta-feira, 1 de novembro de 2024
sexta-feira, 25 de outubro de 2024
sexta-feira, 27 de setembro de 2024
sábado, 31 de agosto de 2024
terça-feira, 6 de agosto de 2024
sexta-feira, 2 de agosto de 2024
terça-feira, 21 de novembro de 2023
quinta-feira, 20 de julho de 2023
terça-feira, 11 de julho de 2023
sábado, 8 de julho de 2023
sexta-feira, 7 de julho de 2023
quinta-feira, 1 de junho de 2023
domingo, 28 de maio de 2023
quarta-feira, 10 de maio de 2023
Um rapaz que eu amo
Aquilo que ele não me diz porque não sabe
Vai me dizendo com o seu corpo
Que dança pra mim
Ele me adora e eu vejo através de seus olhos
O menino que aperta o gatilho do coração
Sem saber o nome do que pratica
Ele me adora e eu gratifico
Só com olhos que eu vejo
Corto todas as cebolas da casa
Arrasto os móveis, incenso
Ele tem um medo de dizer que me ama
E me aperta a mão
E me chama de irmã.
sexta-feira, 5 de maio de 2023
Às vezes tem quem doer como nunca para não doer nunca mais...
segunda-feira, 1 de maio de 2023
Quem vê meu sorriso no rosto durante o dia, não imagina quanta lágrima eu derramo durante a noite
quarta-feira, 19 de abril de 2023
Diz que ama você.
segunda-feira, 17 de abril de 2023
domingo, 16 de abril de 2023
Melhor andar descalça e tranquila do que se arrastar por aí com sapato apertado e desconfortável.
sexta-feira, 14 de abril de 2023
A melhor fase é sempre a próxima fase.
Mentira e Traição
quinta-feira, 9 de março de 2023
Um texto para você que, de tão machucado, deixou de acreditar no amor.
Montei em minha cabeça uma história onde nós dois passearíamos de mãos dadas com nossas mochilas nas costas, e depois tomaríamos sorvete na praça do centro. Seríamos felizes para sempre, e moraríamos num castelo alto, onde eu teria um quarto na torre e um vestido rosa, afinal, era isso que os livros diziam.
A Cinderela se tornou uma moça tão linda que parou o baile e também o coração do príncipe, não foi? Então, porque não eu parar o tempo na vida de alguém também?
Os anos passaram, e hoje com algumas dores de cabeça, devido o estresse do trânsito, algumas espinhas por conta do chocolate e alguns dias em que só quero ficar de pijama dentro da minha própria casa, como se não existisse mundo lá fora, sei que as histórias dos livros e as da vida real são bem, bem diferentes umas das outras.
Sabe, quando a gente começa a descobrir o amor, ilude-se com a ideia de que ele será a melhor coisa de nossas vidas, capaz de nos fazer ir além e conquistar uma nova perspectiva, e voar com os pés no chão, e…
E depois a gente descobre que o amor não é um livro de autoajuda e nem uma religião. Amor é um sentimento entre duas pessoas, e tudo o que envolve duas pessoas terá problemas, conflitos, dores, discussões e momentos difíceis, afinal, somos diferentes um do outro, e é isso que faz as coisas darem certo.
É difícil compreender que os momentos mais complicados são os que mais nos fazem crescer, mas é preciso. Quando algo nos confronta, saímos de nossa zona de conforto, e isso é o que nos faz alcançar o que há de mais profundo dentro de nós mesmos.
Na segunda fase do amor, após o coração ser partido umas duas ou três vezes, passamos a encará-lo como um prêmio. O amor é para os fortes, para os que tentam sem desistir, sem medo e sem olhar para trás.
Passamos a pensar no amor como um jogo onde só sobrevive quem tem muita vontade, e muita fé também. E então, quando nos disponibilizando a vencer este jogo a ficha cai, e percebemos que amor não são jogos mortais, nem jogos vorazes, e muito menos sorteio da mega da virada.
Não importa quais seus números, ou o quanto você investiu, e nem mesmo se sangrou tentando ir além. Se estiver jogando sozinho, jamais vencerá. E aí é vez da dor da frustração tomar lugar e nos dizer que somos incapazes de manter uma relação.
Quando percebemos que os anos estão passando e nenhuma de nossas relações se manteve em pé, a sensação de incapacidade toma um espaço extremamente grande em nós e vem dizer que todos os nossos amigos estão namorando e casando, e você continua aí, sozinho no sábado à noite, almoçando com seus pais no domingo.
E aqui entra a terceira fase, quando já estamos cansados de ofertar oceanos de amor e em troca receber gotas de orvalho. Quando toda nossa intensidade foi transformada em desconfiança, e se antes havia bom dia com direito á coração, agora, por medo, e por pensar já saber de cor o roteiro, há apenas respostas, claro, se a outra pessoa enviar a primeira mensagem.
A terceira fase é aquela em que já estamos tão acostumados com a solteirice que temos na ponta da língua os benefícios de não ter alguém, e além disso, os recitamos quando questionados sobre estar só há tanto tempo. A terceira fase é a cicatrização das feridas abertas durante as outras duas, e talvez por isso seja tão dura, escura e solitária. Aqui, você já está cansado de acreditar, exausto de lutar. Já sabe que não há príncipes encantados, nem princesas adormecidas, e a loteria é uma farsa criada pelo banco para ganhar dinheiro.
Aqui você já passa o whats errado para que a pessoa nunca o (a) encontre, e ri disso. Aqui você se nega a abrir a porta da casa e também a do coração com medo de que tudo se repita, e aquelas noites mal dormidas voltem a lhe importunar, mas diz de boca cheia que,
E é aqui que a nossa conversa começa.
Eu sei que você está cansado, e que já riu, sorriu, respirou fundo e talvez tenha até chorado lendo este texto, mas olha, fique mais um pouquinho; eu garanto que não vou pôr o dedo nas feridas.
Se você veio ler este texto, é porque em algum lugar, lá no fundo, talvez no pâncreas ou na unha do dedão do pé, ainda acredita nessa coisa bonita e esquisita, vulgo amor.
Tem uma parte sua que acredita firmemente que algum dia, num desses encontros casuais, alguém pode chegar e juntar-lhe os pedaços espalhados, sem primeiro quebrar ainda mais as coisas.
Então, hoje, eu estou aqui, ouvindo Boyce Avenue, e olhando algumas árvores à minha frente enquanto escrevo para você e para mim que vai chegar alguém. Vai, vai sim. E esse alguém vai segurar sua mão, e abraçá-lo (a) forte, quando você tiver medo de pegar a estrada. E juntos vocês vão comprar uma penteadeira amarela para decorar o quarto do ap, e também vão ao cinema assistir à adaptação daquele livro que você tanto gostou. E aos domingos vão almoçar e conhecer um lugar novo, ou simplesmente dormir o dia todo e terminar com aquela pizza de mussarela que ficou na geladeira.
E, também, discutirão por ciuminho bobo e ficar horas decidindo em que casa passarão o natal e o ano novo. E, às vezes, passarão um tempo sem conversar para refrescar a cabeça, mas bem, é melhor refrescar a cabeça do que sentir uma frigideira voando em sua direção. E também vai acontecer de você não concordar com uma roupa, e achar melhor comer no restaurante de sempre, do que ir ao novo, mas fazer o que, é a vida né?
Talvez, aos seus olhos, esteja demorando demais, mas já dizia uma postagem de facebook “Deus não demora, ele capricha”. Antes de chegar braços que o (a) abriguem, haverá os que os (as) obriguem, para que você se dê conta de como é importante a tal liberdade, e saiba dá-la ao outro, e também a si mesmo. As dores enfrentadas até agora o estão fortalecendo, transformando, tornando mais humano, e mais compreensivo também. Ninguém passa por nossas vidas ao acaso, sempre há uma lição a aprender.
Por isso, enquanto espera a chegada desse ser, torne-se o amor que você espera receber. Se deseja ser compreendido, torne-se uma pessoa compreensiva; se quer um amor aventureiro, viva aventuras; se o que mais deseja é ter um esposo/esposa amável, que o (a) trate como prioridade, prepare-se para ser exatamente isso na vida do outro.
Não perca a oportunidade de amar alguém devido os traumas passados. Continue, não tenha pressa. Vai aparecer, eu garanto que vai. Um novo sorriso, um novo olhar, um novo abraço, e um novo cheiro também. Vai aparecer um novo motivo para acreditar, para lutar, para amar.
Quando você menos esperar, virando a esquina haverá um coração batendo não mais acelerado, nem mais devagar, mas no mesmo ritmo que o seu, e isso é o que fará com que você perceba e compreenda que todos os amores vividos, sejam eles alegres ou um pouco mais duros, prepararam-no para a chegada do amor por quem você tanto esperou.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
sábado, 11 de fevereiro de 2023
"Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter... calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida." (Clarice Lispector)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
Corpos grandes e invisíveis: a solidão da mulher gorda!
Me conta aqui, rapidinho: quantas vezes por dia alguém segura a porta do elevador e espera você entrar? Consegue enumerar quantas vezes recebeu flores de pretendentes? Quantas vezes o motorista do táxi ou Uber desceu, pegou sua mala e guardou no porta-malas? E quantas vezes te pagaram um drinque numa balada?
Quando as pessoas te veem na rua, elas desviam de você ou vão de encontro, ignorando seu corpo existente ali? Se você se perdeu e não conseguiu responder sim a nenhuma destas questões, talvez você seja como eu: uma mulher gorda.
A falta dessas gentilezas desemboca num lugar solitário. A mulher que está acima do peso considerado adequado pelo padrão vigente está condenada a ser invisível – apesar do tamanho do seu corpo.
Eu tenho 30 e poucos, mas só recentemente entendi que ter me tornado autossuficiente em muitas coisas, como viajar sozinha, sair para jantar sozinha, ir ao cinema sozinha, trocar o chuveiro, o botijão de gás talvez não tenha sido exatamente uma escolha, mas sim uma imposição pela falta de afeto e gentileza.
E aprendi a me divertir sozinha, afinal, é mais fácil garantir uma vaga no curso de medicina da USP do que encontrar alguém disposto a sair em público com uma mulher gorda.
Nunca tive um relacionamento saudável e atribuo isso ao fato de ser uma mulher gorda. O sonho de passear de mãos dadas com alguém na direção do pôr do sol foi substituído pela foto – sozinha – na mesma direção, seguida do texto empoderador que diz: podemos ser tudo o que quisermos. E é verdade. Mas e se quisermos ser amadas? Daí fica mais difícil, porque existe um impedimento social.
É comum vermos mulheres gordas em relacionamentos abusivos
Por mais que eu mesma me ame, não existe amor-próprio suficiente que faça com que outra pessoa sinta o mesmo. E não estou falando de me desejar em segredo, porque isso acontece, mas de me assumir publicamente e ter orgulho de viver comigo.
Algumas pessoas devem estar pensando que “puxa, é uma pena, mas não gosto mesmo de pessoas gordas”. Mas aqui é muito importante lembrar que gosto é uma construção social e isso recai sobre todos nós, mesmo que a gente não queira ou não perceba. A construção da imagem “idealizada” do que é ser uma mulher bonita, hoje, está distante de um corpo gordo, esse ideal é todo baseado na supremacia do corpo magro ou sarado como se fosse o único saudável e possível de ser desejado.
Falando em desejo, vamos esbarrar ainda em algo mais complexo: o querer punitivo. Até vão desejar seu corpo, porque não é difícil encontrar parceiros sexuais. Mas eles vão querer te punir por despertar isso. Dá pra entender? É como se esse desejo fosse errado e a culpa é sua que despertou. Cruel. Aí, a gentileza dá lugar ao sadismo, à exploração, à objetificação, ao fetichismo, à servilidade e nunca o que vem é carinho ou cuidado.
É por isso que é tão comum vermos mulheres gordas em relacionamentos abusivos. Por dentro chego a me questionar se relacionamento não-abusivo existe mesmo. Ser uma mulher gorda que não se desculpa por existir, que não está de dieta e nem escondida em casa cai como um insulto aos que acham que merecem mais a felicidade do que os corpos dissidentes.
Ter a consciência da negação do afeto é tão doloroso quanto saber que, se não se curvar aos padrões esperados, estará condenada a uma vida de solidão e relacionamentos tortos. Ocupar este lugar no mundo e viver este corpo é, de fato, um caminho solitário, mas falar sobre isso e segurar na mão de quem sente a mesma dor pode ser reconfortante. Vem?
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
Que sejamos presentes em memórias alheias. Que alguém já distante lembre-se do nosso sorriso e se sinta acolhido. Que o nosso bem faça bem ao outro. Que sejamos a saudade batendo no peito de uma velha amizade. Que sejamos o amor que alguém nunca esqueceu. Que sejamos um alguém que sorriu na rua e o desconhecido encantou-se. Que sejamos, hoje e sempre, uma coisa boa que mora dentro de cada um que passou por nós.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023
domingo, 18 de setembro de 2022
Fecha a cara, fica um tempo sem falar, quando peço o que foi, você diz sem mostrar os dentes: ‘Nada’. Como se eu não soubesse que você está se remoendo por dentro.
Seu ciúmes é daquele que eu gosto de provocar, só um pouquinho, só até eu sentir o quanto sou importante para você. Aí dá um tempinho e o seu verdadeiro eu reaparece, conforme você vai falando seu rosto fechado vai ficando para trás, eu lhe toco cada vez mais, lhe abraço, beijo e faço novamente você sentir que não preciso de mais ninguém. Então surge aquele olhar em ti, a satisfação de saber que não importa quanto me desejem, pois eu desejo só você.
Eu amo esse teu falso autocontrole, essa sua forma de mostrar segurança mesmo morrendo de medo de me perder.
quarta-feira, 31 de agosto de 2022
Eu nasci pra fazer tudo aquilo que dizem que mulher não pode.
Amor também é ficar.
O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...
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Na minha casa, há dois passarinhos. Pequenos, frágeis, silenciosos. Eles não cantam. Não chilreiam pela manhã, não assobiam ao entardecer. A...
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A Presença Feminina na Política Brasileira: Representatividade ou Cumprimento de Cota? Gracciene Farias Introdução Apesar dos avanços soci...