quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Às vezes, penso naqueles sonhos antigos, nas oportunidades que ficaram pelo caminho. Sempre ouvi dizer que a gente precisa conhecer o mundo, precisa se jogar e arriscar mais. Tantas pessoas falaram isso… e talvez seja verdade. Morar em outro estado, quem sabe outro país. Dizem que sair do lugar onde a gente nasceu abre os olhos, muda a gente de um jeito que nada mais muda. Que ao partir, carregamos um pedaço do nosso lar, mas trazemos de volta algo novo, algo que só o desconhecido pode nos dar.

Meu pai queria tanto que eu tivesse feito aquela faculdade… ele enxergava um futuro onde eu talvez não visse nada além de incertezas. Mas eu fiquei, escolhi o conforto do que já conhecia, das amizades de sempre, das ruas que me viram crescer. Fiquei no bairro onde todos se conhecem, onde os vizinhos me chamam pelo nome e os amigos são mais do que amigos – são família. Eles conhecem minhas dores e meus risos; cresceram ao meu lado, como árvores que dividem as raízes na mesma terra. Sabe, aqui eu me sinto segura. Tem uma doçura em não precisar explicar de onde vim, porque todos ali já sabem.

Eu olho para esses amigos de infância e vejo a história da minha vida nos olhos deles. Talvez eu tenha renunciado a alguns sonhos para viver essas raízes profundas. Talvez nunca tenha aprendido outro idioma ou conhecido de perto culturas diferentes, mas construí uma vida ao lado das pessoas que me conhecem e me acolhem.

Sim, há um mundo lá fora que eu poderia ter explorado. E às vezes me pergunto quem eu seria se tivesse aceitado cada oportunidade de partir. Eu teria outros sonhos, teria outras saudades? Quem sabe? Mas sei que o que tenho agora é real, é genuíno. É o abraço do vizinho, o café no portão, as histórias que compartilhamos desde que éramos crianças.

E se algum dia eu partir, talvez eu finalmente entenda o que me prende tanto a este lugar. Talvez o tempo me mostre que as escolhas que fiz ou que deixei de fazer também me deram algo raro e valioso: um lar, um amor que sempre estará comigo, independentemente de onde eu vá.

Gracciene Farias

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