terça-feira, 5 de novembro de 2024


O oposto da felicidade não é a tristeza, é a depressão. E a depressão, ao contrário do que muitos pensam, é um peso invisível, um companheiro que não se despede ao fim do dia. Eu convivo com isso. Com uma depressão forte, ansiedade, e crises de pânico que me desafiam a cada amanhecer. E essa convivência é dolorosa e silenciosa, porque, na maior parte do tempo, a sociedade ainda não entende o que significa viver com esses transtornos.

Muitas vezes, precisamos manter uma fachada de força, escondendo o que sentimos para evitar o julgamento, para escapar do rótulo de "fracos" ou "ingratos". Quantas vezes eu já ouvi que depressão é "falta de Deus" ou "falta do que fazer"? Dizem que, com uma vida boa, não há motivo para tristeza, como se apenas o que se vê de fora fosse suficiente para definir o que está aqui dentro.

Mas a verdade é que ninguém conhece nossas lutas internas. Ninguém vê o que enfrentamos em casa, no trabalho, ou mesmo em momentos em que deveríamos estar cercados de pessoas que nos amam. Não sabem do esforço imenso que é colocar um pé à frente do outro, tomar os medicamentos certos, e lutar para permanecer em pé. Ninguém enxerga o tanto que precisamos de força para levantar da cama a cada manhã, como se o simples ato de viver fosse uma tarefa exaustiva.

Sim, levantar é uma batalha. Todos os dias, viver com a depressão e com a ansiedade é uma batalha. E mesmo assim seguimos em frente, tentando ao máximo não deixar que outros percebam o que carregamos. Porque o preconceito ainda é um peso adicional que muitos de nós somos obrigados a carregar, como se a dor mental fosse algo que podemos escolher ou ignorar.


Gracciene Farias

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