sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Eu sei que isso faz sentido, mas, ao mesmo tempo, me pergunto: será que enlouqueci? Parece que a segunda metade da vida é para curar tudo o que acumulamos na primeira. Como se a gente precisasse, de algum jeito, passar por cada dor, cada trauma que carregamos desde a infância e adolescência. E agora, quando tudo parece mais real e urgente, eu sinto essas feridas pedindo para serem olhadas. Um pedido de cura.

A psique guarda as marcas desses momentos, como se fossem cicatrizes invisíveis. E aí, quando crescemos, nos encontramos num ponto em que reavaliamos tudo: as escolhas que fizemos, as mágoas que carregamos, os medos que ainda assombram. Curar-se é doloroso. Requer coragem para abrir essas feridas, mas, ao mesmo tempo, é um caminho inevitável de autodescoberta e de liberdade.

É como se estivéssemos ganhando, sim, uma segunda vida, uma chance de recomeçar. Mas agora, com a prioridade voltada para o que realmente importa: nossa paz, nosso bem-estar, e essa integração dos fragmentos que, de um jeito ou de outro, nos trouxeram até aqui. Então, eu me sinto assim, porque talvez — talvez — eu esteja finalmente pronta para me libertar de tudo aquilo que não me serve mais.


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