Jaci, a bela princesa, de olhos como as águas da cachoeira,
Desliza entre as pedras, num canto de pureza e esplendor,
Enquanto o destino desenha, na mata, sua teia verdadeira.
Piatã, o jovem guerreiro, forte como o tronco do jequitibá,
A viu em silêncio, sob a cascata, onde a água e a alma se encontram,
Seu coração, antes valente, agora treme como as folhas do sabiá,
Pois nos olhos de Jaci, mundos inteiros se desvendam e se afrontam.
Mas nem sempre o amor floresce onde a inveja cria raiz,
Irani, a irmã, nas sombras, com os olhos queimando em dor,
Desejava para si o brilho que em Jaci sorria tão feliz,
E nas tramas de sua alma, plantou o medo e o rancor.
Na aldeia, Janaína, a mãe de Piatã, endurecia o coração,
Pois o amor que o filho trazia, aos olhos dela, era traição,
“Uma princesa não é digna de meu guerreiro, minha razão,”
E com suas palavras frias, lançou ao vento uma maldição.
Mas o amor, mesmo em tempestade, não se apaga com facilidade,
Jaci e Piatã, sob a luz da lua, sonhavam com a paz entre tribos,
Desejavam mais que o toque, mais que a eternidade,
Sonhavam com a união, onde o ódio se quebraria em fios.
E assim, a cachoeira continuou a cantar, sem temer,
Pois na voz das águas, vive a esperança que não morre,
Mesmo quando as estrelas se escondem, e os corações querem ceder,
Jaci e Piatã, nas lendas, seus nomes o tempo não socorre.
Irani, no fim, chorou por sua inveja, desfeita em pó,
Janaína viu que o amor, mesmo ferido, era sempre maior,
Cariacica guardou nas suas montanhas, e na brisa sem dó,
A lenda de um amor que venceu o rancor.
E hoje, quem passa pela cachoeira, ouve ainda o sussurrar,
De Jaci e Piatã, guerreiros da paz, nas águas, a nos embalar.
Gracciene Farias
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