Chega dezembro, e com ele, um peso que eu não consigo explicar. Parece que as festas de fim de ano, tão cheias de luz e celebração para muitos, acendem em mim uma chama de nostalgia e tristeza. Meu aniversário, Natal, Ano Novo... Não consigo celebrar como vejo as outras pessoas celebrarem. É como se essas datas me puxassem para dentro, para um espaço de introspecção que, embora necessário, também dói.
Hoje é 29 de dezembro, e eu fico pensando: O que eu ganhei? O que eu perdi? E por mais que, na ponta do lápis, os ganhos superem as perdas, há uma sensação de vazio que me abraça. Parece que estou perdendo tempo, perdendo anos. Olho para a idade que tenho e penso: Por que não consegui isso? Por que não cheguei lá?
O Ano Novo deveria ser um recomeço, mas para mim é mais uma continuação solitária. Eu vejo pessoas comprando roupas novas, planejando festas, compartilhando momentos com amigos e família. E eu? Eu me vejo deitada na cama, assistindo minha série preferida. Daniel talvez esteja acordado para me dar um abraço. Talvez não. E a verdade é que, além dele, não há ninguém para me ligar, me desejar um feliz ano novo, dizer que vai dar tudo certo. Não há aquele calor humano, aquela esperança compartilhada que muitos parecem ter.
Me pergunto: Por que isso me afeta tanto? Por que essas datas pesam tanto em mim? Eu não sei a resposta. Mas sei que é uma tristeza que acompanha o fim do ano, uma melancolia que me faz repensar tudo. Talvez, no fundo, seja uma cobrança excessiva. Talvez eu esteja esperando algo que nunca veio e que, por isso, já nem sei mais reconhecer.
O que eu queria, no fundo? Talvez alguém ao meu lado, segurando minha mão e me dizendo que tudo vai ficar bem. Alguém que me lembre que não importa o que eu fiz ou deixei de fazer neste ano, eu sou suficiente. Mas, por enquanto, o que eu tenho sou eu mesma. E o Daniel.
Pode não ser a celebração que os outros têm, mas talvez, apenas talvez, eu possa encontrar uma paz nisso. Fechar os olhos e aceitar que, mesmo sem fogos de artifício, mesmo sem grandes comemorações, eu sobrevivi a mais um ano. E isso, de alguma forma, já é um ganho.
Gracciene Farias
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