sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

A Mulher e a Ausência do Lazer: Uma Reflexão Sobre o Direito de Existir Além das Obrigações.

Hobby. Essa palavra me pega desprevenida. Alguém me perguntou recentemente se eu tinha um, e a minha resposta veio rápida e seca: “Não.” Não porque não quero, mas porque nem sei o que isso significa para mim. A sensação que fica é a de que não tenho permissão para explorar esse espaço de prazer e leveza. E essa ausência não é só minha. É da minha mãe, da minha avó, e de tantas mulheres que conheço.

Quando somos jovens, talvez tenhamos hobbies. Pequenos prazeres, como dançar, desenhar, ouvir música sem pressa. Mas a vida chega com suas demandas, e o que era lazer se perde no caos. Depois vem o trabalho, o casamento, a casa, os filhos, as contas a pagar. De repente, o dia está lotado de tarefas e responsabilidades. E aí, onde cabe um hobby?

A mulher vive para todos, menos para si. Aprendemos isso pela repetição: vimos nossas mães e avós sacrificarem seus momentos, suas vontades, seus sonhos, em prol da família. A lista de coisas para fazer nunca acabava, e elas acreditavam que tirar um tempo para si era egoísmo. Hoje, repetimos esse padrão sem nem perceber. Fazemos tudo ao mesmo tempo, equilibrando mil pratos, mas esquecemos que também precisamos de tempo para respirar, para existir.

O mais triste é que, muitas vezes, nem sabemos mais o que gostamos. Perguntar “qual é o seu hobby?” se torna um convite incômodo para olhar para dentro e perceber que não temos uma resposta. Porque fomos educadas a acreditar que o tempo para nós mesmas é um luxo, e não uma necessidade.

Mas é urgente mudar essa narrativa. Precisamos reivindicar o direito de ter um hobby. Não para sermos mais produtivas ou para agradar aos outros, mas para nos reconectarmos com quem somos. Pode ser resgatar algo que amávamos na juventude ou descobrir algo completamente novo. Talvez seja ler sem culpa, pintar sem técnica, correr sem objetivo. O hobby é o espaço onde a mulher pode existir sem cobranças, sem listas de tarefas, sem prazos.

Eu também quero descobrir o meu hobby. Quando eu descibri venho aqui contar para vocês.
Quero aprender a me permitir. Não é fácil, mas é necessário. Porque nós, mulheres, merecemos mais do que viver para os outros. Merecemos viver por nós mesmas.
Gracciene Farias 

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