domingo, 19 de janeiro de 2025

MAR ( II )

Eu fui concebida no mar,
onde as ondas conhecem o destino
antes mesmo de ele ser escrito.
Nas águas salgadas, meu início foi soprado,
e o vento guardou meu primeiro sussurro.

Eu nasci onde o céu se espelha em azul,
onde o horizonte abraça o mundo.
Minha infância foi de conchas que sussurravam histórias,
de algas que dançavam como irmãs ao meu redor.
Eu corria pelas areias quentes,
meus pés marcando o chão
que logo seria apagado pela maré.

O Baiacu, meu amigo inflável,
era meu companheiro nos dias de aventura.
Com minhas mãos pequenas, eu o segurava,
sentindo sua confiança enquanto o devolvia ao mar.
Era como se ele soubesse que eu também era do oceano,
uma filha das águas.

Mas nem sempre o mar foi abrigo.
Ainda bebê, o sal conheceu meu choro.
No mesmo mar que me deu vida,
quiseram me tirar dela.
Mãos que deveriam proteger tentaram lançar-me
ao fundo do azul sem volta,
mas braços fortes e amorosos me salvaram,
arrancando-me da borda do abismo.
E o mar… o mar testemunhou,
guardou o silêncio como uma mãe que sabe demais.

Hoje, eu volto a ele, não com medo,
mas com a reverência de quem entende
que a vida pode nascer do mesmo lugar
onde quase se desfaz.
O mar é meu lar, meu destino,
e a prova de que, mesmo em sua fúria,
ele nunca deixou de me acolher.
Gracciene Farias 

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