segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O Natal com a minha família

O Natal na minha família sempre foi muito especial, repleto de memórias mágicas e cheias de amor. Era a década de 90, e tudo parecia mais simples, mas também mais intenso. Desde novembro, nossa casa já entrava no clima das festas. Minha mãe adorava organizar o aniversário do meu irmão, que ela comemorava na noite do dia 24 de dezembro, junto com o Natal. Ele faz aniversário no dia 16 de dezembro, mas ela sempre unia as celebrações, criando um momento único. Nós passávamos semanas preparando a festa. Ela cuidava de cada detalhe com carinho: as lembrancinhas, as comidas, as decorações. Minha mãe era apaixonada por festas e colocava seu toque especial em tudo. Sempre havia algo diferente e surpreendente, o que tornava cada ano inesquecível.

Uma vez, eu ganhei um videogame de presente. Eu sempre gostei de videogames e estava tão animada com aquele presente. Era aquele modelo clássico, com uma base reta e um joystick simples, que tinha jogos incríveis como o “pega-ladrão”. Mas, curiosamente, no dia do Natal, eu mal consegui jogar. Meu pai e um amigo dele ficaram tão empolgados que jogaram praticamente o dia todo. O presente era meu, mas ver a alegria deles brincando foi tão divertido que eu nem me importei. Eu me sentia feliz só de assistir, como se a felicidade deles também fosse minha.

As comidas eram um capítulo à parte. Minha mãe e minha avó passavam o dia na cozinha, preparando pratos deliciosos. Feijão tropeiro, salpicão com batata palha e aquele ingrediente pretinho que nem todo mundo gostava(uvas passas). Sempre tinha dois tipos de  carne, porque meu pai fazia questão. E o Chester e o Peru? Esses eram indispensáveis. Até hoje, lembro do meu pai olhando para o Chester e dizendo: “Não pode faltar no Natal, o Peru.” Nunca soube a diferença entre os dois, mas sei que ambos faziam parte da nossa tradição.

Minha mãe era o coração da festa. Leonina, vaidosa e elegante, ela nunca repetia uma roupa em festas. Cada evento era uma oportunidade para ela brilhar. Eu, virginiana, era mais contida e discreta, mas admirava o jeito dela de encher os ambientes com sua energia. Apesar de sermos diferentes, o amor entre nós sempre falou mais alto.

O Natal era mais do que uma data; era um tempo de união, de amor e de construir memórias. Lembro com carinho das risadas, da casa cheia, dos amigos e familiares reunidos, e até do bolo de aniversário do meu irmão, com glacê e temas de futebol ou Natal. Esses momentos continuam vivos no meu coração, como um símbolo de tudo o que importa na vida: a simplicidade, o amor e a família.

Geacciene Farias 

Nenhum comentário:

Amor também é ficar.

O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...