Crescer foi como andar sobre vidro. O peso das expectativas que nunca alcancei, os julgamentos que feriam mais fundo que palavras, e o silêncio de quem deveria estar ao meu lado foram sombras que me acompanharam. Quando a vida me ofereceu o amor de ser mãe, ela também me tirou esse sonho, não uma, mas quatro vezes. Perder um filho que nunca nasceu é perder um pedaço de si mesma é sentir o vazio de um berço que nunca foi preenchido e ouvir o eco de um choro que nunca veio. Essas perdas não me mataram, mas me reconstruíram. Só que cada nova versão de mim mesma parecia mais pesada, mais cheia de cicatrizes que não sei esconder."
"E então vieram as batalhas com meu próprio corpo, as dores que o mundo não vê. Meu sangue, que deveria ser a fonte da vida, tornou-se um inimigo silencioso, criando armadilhas dentro de mim. Já estive à beira do fim, respirando com dificuldade, enquanto meu coração insistia em continuar batendo. Por quê? Talvez porque algo dentro de mim ainda acredita na beleza da vida, mesmo quando ela insiste em me testar.
Hoje, olho para trás e não vejo uma história de vitórias, mas uma história de resistência. Não sou a heroína de um conto de fadas; sou a mulher que carrega seus pedaços e, mesmo assim, escolhe seguir em frente. Meu irmão, meu menino, minha razão de lutar, é o amor que me salva todos os dias. Ele me lembra que, mesmo nas tempestades mais fortes, sempre existe algo a proteger, algo pelo qual vale a pena lutar.
Se você está lendo isso, talvez esteja enfrentando suas próprias tempestades. E eu quero que saiba: você não está sozinho. A dor pode ser insuportável, mas ela também pode ser o solo onde plantamos novas esperanças. Não importa quantas vezes você caia, o importante é que você escolha se levantar. A vida não é sobre nunca sofrer; é sobre encontrar motivos para continuar, mesmo quando tudo parece perdido. Meu motivo é o amor. Qual é o seu?
Gracciene Farias
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