Em 2016, eu estava no fundo do poço. A morte da minha mãe, um acontecimento que mudou minha vida de forma irreversível, foi um golpe difícil de suportar. No mesmo ano, minha vida pessoal também estava em um turbilhão, e eu me vi perdida, sem saber quem eu era ou o que deveria fazer para seguir em frente. Durante esse período sombrio, uma conversa com uma pessoa muito especial marcou um ponto de virada em minha vida.
Ela me perguntou, em meio a tudo aquilo: "Gra, quem é a pessoa que você mais ama? " Eu, com o coração apertado e as emoções à flor da pele, respondi prontamente: "Eu amo o Daniel." Com uma calma que só alguém realmente sábio possui, ela olhou para mim e disse: "Não, você tem que se amar primeiro."
Naquele momento, suas palavras me tocaram profundamente, mas eu não compreendi de imediato o peso delas. Como assim, me amar primeiro? Eu estava no meio de uma dor que parecia não ter fim. A morte da minha mãe, a perda do que conhecia como normalidade, o vazio emocional que me consumia... Como poderia, naquele momento, pensar em mim? Como poderia colocar a mim mesma antes de todos, especialmente quando a dor da perda era tão grande?
Mas ela não estava dizendo que eu deveria abandonar o amor pelos outros ou me fechar para o mundo. O que ela me ensinou foi algo que levaria um tempo para entender: para amar verdadeiramente os outros, eu precisava aprender a me amar em primeiro lugar. Esse amor não é egoísmo. É autopreservação. É cuidar de si mesma para que, ao cuidar dos outros, você tenha o que oferecer.
Passei a refletir sobre isso e percebi que, por muito tempo, fui como uma vela acesa, queimando para iluminar os outros sem me preocupar com a minha própria chama. Eu me perdi tentando atender às necessidades de todos à minha volta, sem perceber que, ao fazer isso, estava me apagando aos poucos. O que aprendi naquele momento foi que o autocuidado não é um ato egoísta, mas sim uma necessidade fundamental. E quando cuidamos de nós mesmos, estamos mais fortes, mais inteiros e mais capazes de ser o apoio que outras pessoas precisam.
O amor próprio é uma prática diária. É escutar o que você precisa, fazer algo de bom para si, respeitar seus limites, cuidar da sua saúde mental e emocional. Às vezes, isso significa dar um passo atrás e se dar o tempo e o espaço necessários para curar as feridas que a vida nos impõe. Esse processo é contínuo e, aos poucos, fui reencontrando a força dentro de mim.
A morte da minha mãe e todos os desafios que enfrentei depois disso me ensinaram que a vida é imprevisível e, muitas vezes, dolorosa. Mas também me mostraram que, quando nos permitimos nos amar de verdade, encontramos forças para seguir em frente, mesmo quando tudo parece desabar. Entendi que não podia continuar sacrificando minha saúde emocional e mental em nome do cuidado com os outros. O cuidado com os outros deve começar com o cuidado de si mesma.
Essa reflexão, iniciada por aquela conversa transformadora, mudou minha vida. Ela me fez perceber que, embora o amor por outras pessoas seja essencial, o amor por si mesma é a base de tudo. Só podemos realmente oferecer amor, apoio e carinho aos outros quando somos capazes de oferecer isso a nós mesmos.
Hoje, olhando para trás, vejo o quanto essas palavras me ajudaram a crescer. Não foi fácil aprender a me colocar em primeiro lugar, especialmente em um momento tão doloroso da minha vida. Mas agora, com mais clareza, entendo o que minha amiga queria dizer: não podemos dar o que não temos. Se não nos amarmos primeiro, não podemos esperar ter amor para dar aos outros. O amor começa dentro de nós, e é a partir dele que conseguimos estender essa energia para quem nos cerca.
Foi assim que, de uma conversa simples e profunda, eu encontrei um caminho para o autocuidado, para a reconexão comigo mesma. As palavras daquela pessoa tão importante ainda ressoam em minha mente e, até hoje, me guiam. Elas se tornaram um lembrete constante de que, para seguir em frente, é necessário primeiro se acolher.
Essa frase, eu ouvi de uma amiga muito importante para mim. Joyce.