domingo, 22 de junho de 2025

Guerra entre Irã e Israel: como esse conflito pode afetar o Brasil e a vida de todos nós


Enquanto o mundo observa com tensão os confrontos entre Irã e Israel, muitas pessoas aqui no Brasil acham que isso está muito longe para nos atingir. Mas a verdade é que essa guerra já começa a afetar o nosso país, e não só na economia. Ela também mostra, mais uma vez, como as decisões de líderes em busca de poder acabam custando vidas inocentes.

Esse conflito, que tem raízes profundas e religiosas de milhares de anos, não deveria existir em um mundo que clama por paz. É uma disputa marcada por vinganças históricas, orgulho político e intolerância. E embora o envolvimento de potências como os Estados Unidos tenha acendido ainda mais os ânimos, a guerra não é deles. Eles se colocaram dentro dela, como já fizeram tantas vezes. Mas o coração da guerra está entre o Irã e Israel.

Quem sofre com isso tudo?

Por trás de bombas, armas e discursos inflamados, existem vidas sendo perdidas. Crianças, idosos, mulheres, homens comuns. Pessoas que não têm culpa. Famílias que perderam tudo em segundos. Gente que só queria viver, trabalhar, estudar, criar seus filhos em paz.

Essas pessoas, infelizmente, estão pagando o preço por decisões de governantes que pensam mais em controle e poder do que em humanidade. E essa dor, que parece distante, ecoa no mundo todo, inclusive aqui.

Mas o que isso tem a ver com o Brasil?

Você pode se perguntar: “como essa guerra afeta o Brasil?”
A resposta é: mais do que parece.

Mesmo longe da zona de conflito, o Brasil já sente, e ainda vai sentir, reflexos econômicos, sociais e políticos. Veja como:

1. Alta no preço do petróleo

O Irã é um grande produtor de petróleo. Com a guerra, existe o medo de que a produção ou o transporte seja prejudicado. Esse risco faz o preço do barril subir no mercado internacional.

Como isso afeta o Brasil?

A Petrobras segue o preço internacional.

Isso faz a gasolina, o diesel e o gás de cozinha ficarem mais caros.

Com o transporte mais caro, os produtos no mercado também sobem de preço.

A inflação aumenta e pesa principalmente no bolso dos mais pobres.


2. Dólar mais caro e instabilidade

Durante conflitos, investidores do mundo todo tiram dinheiro de países como o Brasil e buscam segurança em países mais ricos. Com isso, o dólar sobe por aqui.

Consequências diretas:

Produtos importados ficam mais caros (remédios, carros, eletrônicos).

Empresas que compram matéria-prima de fora gastam mais.

Viagens internacionais e tratamentos médicos ficam mais difíceis.

O custo de vida aumenta.


3. Menos investimento e mais insegurança

A guerra traz instabilidade. Com medo dos riscos, investidores adiam ou cancelam investimentos. Isso afeta diretamente a economia brasileira.

O que pode acontecer:

O governo arrecada menos e tem menos recursos para áreas como saúde, educação e infraestrutura.

Obras são paralisadas.

Programas sociais podem ser cortados ou adiados.

O desemprego pode crescer.


4. Riscos para as exportações brasileiras

Boa parte das exportações do Brasil passa por rotas comerciais internacionais. Se a guerra continuar ou se espalhar, rotas como o Canal de Suez podem ser afetadas, dificultando o transporte de mercadorias.

Impactos no Brasil:

Atrasos e custos maiores nas exportações.

Produtos brasileiros perdem competitividade.

Empresas perdem lucro.

Pode haver demissões em setores ligados ao comércio exterior.


O que podemos desejar agora?

Mais do que torcer por um lado ou por um país, o que o mundo precisa é de paz. Desejar que isso acabe logo, mesmo sabendo que não será fácil nem rápido. Porque, no fim das contas, quem mais sofre são os inocentes.

Enquanto líderes fazem guerra com discursos de fé ou patriotismo, são os órfãos, os feridos, os desabrigados e os mortos que pagam a conta. Religião e política, quando usadas sem empatia, são duas armas perigosas. E a história já provou isso muitas vezes.

Que a humanidade escolha parar. Que esse conflito acabe. E que a gente lembre que, antes de sermos de uma nação ou religião, somos todos seres humanos.
Gracciene Farias 

sábado, 21 de junho de 2025

Quando a vida ensina na pele, a luta vira missão

Não escolhi as lutas que carrego. Fui atravessada por elas.

Quando precisei de moradia digna, descobri o que é ser ignorada por um sistema que fecha os olhos para quem mais precisa.
Quando enfrentei o diagnóstico de trombofilia, entendi na pele como a saúde pública pode ser cruel com quem depende dela para sobreviver.
Quando minha mãe partiu, abracei o autismo como parte da minha vida e me tornei mãe de um irmão.
Quando enfrentei a burocracia para conseguir direitos básicos, percebi o quanto o caminho é mais difícil para quem não tem voz.

Essas vivências não me tornaram apenas  sobrevivente. Elas me fizeram entender que lutar por causas sociais não é um título, é uma responsabilidade com quem vive na pele o que muita gente só observa de longe.

Falo de habitação porque sei o que é precisar.
Falo de saúde porque luto por ela todos os dias.
Falo de autismo porque conheço cada desafio da rotina.
Falo de direitos sociais porque vi, por experiência própria, o quanto são negados a quem mais precisa.
E falo de trombofilia porque ela quase me calou, mas não conseguiu.

Minha história não é sobre vitimismo.
É sobre resistência.
E sobre transformar dor em voz.

Gracciene Farias 

O Direcionamento que Vem de Deus

Em minhas orações diárias, peço algo que se tornou uma regra para mim: que tudo aquilo que não for para mim, que não me fizer bem, que não vier de Deus, simplesmente se afaste da minha vida. Que vá embora de forma leve, sem causar dor, sem deixar saudade.

E sabe o que mais me surpreende? É que isso acontece. Pessoas, situações, lugares... às vezes desaparecem como se nunca tivessem estado ali. E eu nem sinto. Porque aquilo não era para mim. Não fazia parte do propósito. Não estava no caminho que Deus sonhou para a minha história.

A gente passa tanto tempo tentando manter por perto aquilo que, na verdade, só nos atrasa. E, por mais que doa, aprender a deixar ir é um gesto de fé. É confiar que o que é verdadeiro permanece. E o que vai embora, vai porque precisa.

Mais do que bênçãos, eu aprendi a pedir direcionamento. Porque bênção fora do tempo certo vira peso. E nenhuma conquista vale a pena se não for no tempo de Deus.

domingo, 15 de junho de 2025

O machismo de saia: quando a opressão fala com voz de mulher


Por Gracciene Farias

O machismo não se limita ao comportamento masculino. Ele é, na verdade, um sistema de crenças que atravessa toda a sociedade e que pode ser reproduzido por qualquer pessoa, inclusive mulheres. O mais doloroso é perceber que, muitas vezes, quem primeiro julga, deslegitima ou silencia a dor de outra mulher é alguém do próprio gênero. Esse fenômeno tem nome: misoginia internalizada, e é uma das formas mais eficazes de perpetuação da desigualdade de gênero.

Desde muito cedo, meninas são ensinadas a competir entre si, a desconfiar umas das outras e, principalmente, a se responsabilizar pelo comportamento dos homens. Já os meninos, muitas vezes, crescem sendo protegidos, servidos, e com poucas cobranças emocionais. Quem ensina isso? Frequentemente, a própria família e, nesse núcleo, muitas vezes, a figura materna.

Mas atenção: isso não significa que a mulher é culpada por formar homens machistas. O que os estudos apontam é que, dentro de uma estrutura patriarcal, a mulher também é socializada para sustentar esse sistema. Como diz a psicóloga e sexóloga Regina Navarro Lins, em diversos contextos, "a mulher reproduz a desigualdade porque também foi ensinada a vê-la como normal". A socióloga Eva Illouz, em Por que o amor dói, explica que os afetos e as relações são moldados pelo patriarcado, inclusive o modo como mães educam seus filhos.

A filósofa Simone de Beauvoir, já em 1949, afirmava: “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Isso também vale para os homens. Eles também são moldados, e muitas vezes reforçados por mães, irmãs, esposas e companheiras que não tiveram acesso a outra forma de educar, amar e existir. Não por maldade, mas por sobrevivência.

As consequências disso se revelam em frases como:

“Ele traiu porque ela deixou de se cuidar.”

“Homem é assim mesmo, você tem que aguentar.”

“Ela apanhou, mas deve ter provocado.”

“Se ele foi embora, foi porque ela era difícil.”


Essas falas não são apenas conselhos — são expressões de um sistema que ensina a mulher a aceitar o inaceitável e a culpar outras mulheres por sofrerem.

Na psicologia social, a pesquisadora Susan Fiske mostrou que as pessoas tendem a reproduzir comportamentos do grupo dominante para serem aceitas. No caso das mulheres, muitas repetem o discurso machista como forma de evitar o julgamento social ou manter laços afetivos com figuras masculinas.

Mas é preciso romper com esse ciclo. Como diz a escritora Bell Hooks, “o patriarcado ensinou às mulheres a se odiarem”. Por isso, a sororidade — o apoio consciente entre mulheres é uma prática política e urgente. Precisamos de mulheres que acolham, que questionem estruturas, que não passem pano para o machismo por medo ou comodidade.

A mudança começa com pequenas atitudes: quando uma mulher decide não julgar outra. Quando escolhe não defender o indefensável. Quando ensina seus filhos que homens também devem lavar pratos, respeitar o não, cuidar do próprio corpo e ter empatia.

É só quando paramos de repetir o machismo com voz de mulher que conseguimos, de fato, ser livres.


Referências:

BEAUVOIR, Simone de. O Segundo Sexo. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1949.
HOOKS, Bell. O feminismo é para todo mundo. Rosa dos Tempos, 2000.
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala. Letramento, 2017.
LINS, Regina Navarro. A Cama na Varanda. Rocco, 2000.
FISKE, Susan T. Social Beings: Core Motives in Social Psychology. Wiley, 2004.
ILLOUZ, Eva. Por que o amor dói. Zahar, 2011.

Amor também é ficar.

O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...