Não escolhi as lutas que carrego. Fui atravessada por elas.
Quando precisei de moradia digna, descobri o que é ser ignorada por um sistema que fecha os olhos para quem mais precisa.
Quando enfrentei o diagnóstico de trombofilia, entendi na pele como a saúde pública pode ser cruel com quem depende dela para sobreviver.
Quando minha mãe partiu, abracei o autismo como parte da minha vida e me tornei mãe de um irmão.
Quando enfrentei a burocracia para conseguir direitos básicos, percebi o quanto o caminho é mais difícil para quem não tem voz.
Essas vivências não me tornaram apenas sobrevivente. Elas me fizeram entender que lutar por causas sociais não é um título, é uma responsabilidade com quem vive na pele o que muita gente só observa de longe.
Falo de habitação porque sei o que é precisar.
Falo de saúde porque luto por ela todos os dias.
Falo de autismo porque conheço cada desafio da rotina.
Falo de direitos sociais porque vi, por experiência própria, o quanto são negados a quem mais precisa.
E falo de trombofilia porque ela quase me calou, mas não conseguiu.
Minha história não é sobre vitimismo.
É sobre resistência.
E sobre transformar dor em voz.
Gracciene Farias
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