O tempo passa, e com ele, os rostos mudam, os laços se desatam, os nomes se apagam. Olho para trás e percebo: as pessoas que estiveram comigo há dez anos já não estão mais. Algumas se foram porque assim quis o destino. Outras, porque assim quiseram ser. E de muitas, fui eu quem virou a página.
Não carrego rancor, nem saudades forçadas. Há nomes que nem lembro, histórias que não fazem falta. Outras, lembro porque estiveram ali desde o começo, quase família, embora o sangue não nos una. Mas laços antigos não são sinônimos de eternidade. Aprendi isso na prática, do jeito mais doloroso: maldade e covardia não combinam com permanência.
Mudei. Cresci. Hoje, não insisto em quem não me quer por perto. Não corro atrás, não mendigo presença. Se quiser ficar, que fique pelo que sou, não pelo que posso oferecer — até porque, não tenho nada além de mim mesma. Minha amizade, meu carinho. E isso deveria ser suficiente. Mas o mundo ensina, e às vezes, da forma mais dura: quase ninguém fica sem um interesse por trás.
E o que faço? Nada. Apenas sigo. Se percebo que estou dando meu melhor às pessoas erradas, apenas paro. Desapareço. Não há brigas, não há discussões. Só um silêncio definitivo. Uma ausência que fala por si. Sou boa em terminar. Sempre fui. Relacionamentos, amizades, ciclos. Tudo tem um ponto final quando precisa ter.
E assim sigo, sem peso, sem arrependimento. A vida é feita de chegadas e partidas. Algumas escolhas são minhas, outras não. Mas todas me trouxeram até aqui. E aqui, onde estou, é onde quero estar.
Gracciene Farias
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