quinta-feira, 4 de agosto de 2022


Ninguém quer nada com nada. É o que eu mais ouço por aí. E o fato é que, na maioria dos casos, sou obrigada a concordar. A verdade é que a nossa geração se perdeu em meio a fartura. A Internet fez com que o mundo se tornasse pequeno. Isso foi bom em vários aspectos, mas, com relação aos relacionamentos, complicou tudo. Opções demais, qualidade de menos. Fidelidade virou artigo raro. Longevidade também. Afinal, quem está disposto a se dedicar de verdade a um relacionamento? Quem está disposto a passar pelas dificuldades e construir uma história a dois? Se é tão mais fácil curtir a foto de volta e marcar um sexo casual. Se é tão mais simples aceitar um dos vários convites de viagens que chegam todos os dias. Ninguém se esforça de verdade porque sabe que a fila de espera é grande e o status atualiza rápido. É cada “presente de Deus” virando “embuste” em questão de dias. Relaxa! É só abrir o cardápio e escolher o próximo prato. No drive true, de preferência, pra não perder tempo. Antes as fotos de casal duravam pra sempre. Depois passaram a ser apagadas. Hoje em dia o contatinho da vez nem aparece no feed. O que os seguidores não veem o coração não sente. Segue o baile. E foi assim que viramos troféus em prateleiras. Foi assim que aprendemos a nos contentar em ser só mais um nome em uma lista. Que vendemos o nosso corpo e transformamos a relação humana mais incrível de todas em algo banal. Não tá fácil pra ninguém, é verdade. Mas fomos nós que escolhemos ser assim. E, muitas das vezes, até nos orgulhamos disso. Somos todos mau partidos apontando dedos e fingindo que estamos procurando o par ideal. Mas a verdade é que, se ele ainda existir, não vai se interessar por nenhum de nós. Não mesmo. Mas, quer saber? Está tudo bem! Logo logo vai ser verão novamente. E depois Réveillon. E Carnaval. E Semana Santa. Sejamos honestos. A gente nem queria nada sério mesmo.

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