Por Gracciene Farias
Pouca gente conhece, mas a trombofilia pode causar sérios problemas de saúde se não for identificada e tratada a tempo. Ela é uma condição que deixa o sangue com maior tendência a formar coágulos, chamados de trombos, que podem bloquear os vasos sanguíneos e causar complicações graves, como a trombose e a embolia pulmonar.
O que é trombofilia?
Trombofilia é uma condição, que pode ser genética ou adquirida ao longo da vida, que faz com que o sangue tenha uma maior facilidade de coagular. Nosso corpo precisa desse equilíbrio para evitar sangramentos, mas quando o sangue coagula demais, pode ser perigoso.
Existem diferentes tipos de trombofilia. A mais comum é a hereditária, causada por alterações genéticas, como o fator V de Leiden, que atrapalha o corpo a dissolver coágulos. Também existem outras causas, como a falta de algumas proteínas que ajudam a controlar essa coagulação. Já a trombofilia adquirida pode aparecer por fatores como uso de anticoncepcionais hormonais, gravidez, obesidade, câncer e algumas doenças inflamatórias.
Causas e fatores de risco
A trombofilia pode ser causada por diferentes motivos, que geralmente se dividem em duas categorias: hereditária (genética) e adquirida. Entender esses motivos ajuda a saber quem está mais propenso e como se cuidar.
Hereditária:
Fator V de Leiden: mutação genética que dificulta o corpo a dissolver os coágulos.
Mutação na protrombina (Fator II): aumenta a produção de proteína que forma coágulos.
Deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina: essas proteínas ajudam a controlar a coagulação. A falta delas aumenta o risco de trombose.
Adquirida:
Uso de anticoncepcionais hormonais e terapia de reposição hormonal: aumentam a chance do sangue coagular mais.
Gravidez e pós-parto: momento natural de maior coagulação para evitar sangramentos, mas com risco aumentado.
Obesidade: prejudica a circulação e facilita a formação de coágulos.
Cirurgias, principalmente ortopédicas: o corpo coagula mais para evitar sangramentos, mas pode formar trombos.
Imobilização prolongada: ficar muito tempo parado, como em viagens longas ou repouso, diminui o fluxo sanguíneo.
Doenças crônicas e inflamatórias: câncer, lúpus, síndrome antifosfolípide e outras.
Tabagismo: prejudica a circulação e aumenta o risco de coágulos.
Idade avançada: aumenta a chance de alterações na coagulação.
Infecções graves: algumas infecções, como a COVID-19, também podem elevar o risco.
Na maioria dos casos, a trombose acontece quando esses fatores se combinam. Por exemplo, alguém com trombofilia hereditária que usa anticoncepcionais e fica muito tempo parada tem risco maior.
Como a trombofilia impacta a vida?
A trombose pode deixar sequelas que dificultam a rotina, como dores, inchaço e problemas circulatórios. Em casos mais graves, pode levar à insuficiência venosa ou até à morte, se o coágulo chegar ao pulmão (embolia pulmonar).
Além dos sintomas físicos, conviver com trombofilia mexe com a saúde emocional, porque é preciso atenção constante, medicamentos e mudanças no estilo de vida. Para as mulheres, o cuidado é ainda maior, já que a trombofilia pode causar complicações na gravidez, como aborto espontâneo ou parto prematuro.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre a saúde e a história da pessoa, seguida de exames de sangue específicos para detectar as alterações na coagulação.
O tratamento mais comum é o uso de anticoagulantes, que ajudam a evitar a formação de novos coágulos. Também é importante cuidar da alimentação, praticar exercícios e evitar fumar.
Por que é importante falar sobre trombofilia?
Muita gente não conhece essa condição, e isso atrasa o diagnóstico e o tratamento. Por isso, falar sobre trombofilia é essencial para que as pessoas fiquem atentas aos sinais e busquem ajuda rapidamente.
Minha história e missão
Eu convivo com trombofilia hereditária há anos, e sei bem os desafios que ela traz. Mas com acompanhamento, informação e cuidados, é possível ter qualidade de vida. Quero usar minha experiência para ajudar outras pessoas a entenderem a doença e se protegerem.