segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Eu quero troca. E entendi que sou um lugar bom de se habitar...

Sou um canto tranquilo, desses que abraçam sem apertar. Falo o que me vem à cabeça, sem muito filtro. Sou dos tímidos que fazem questão de deixar o outro confortável. Do café coado no fim da tarde. 

Não tenho muito jeito para protocolos. Arrumo a cama toda manhã, mas me perco fácil num carinho demorado. Tenho tempestades que só quem já enfrentou entende. E vontades que, às vezes, me fazem esquecer que a vida acontece enquanto a gente tenta entender.

Acho que, no fundo, sou parecida com você. Fica, que você vai ver. Mas, se em algum momento percebermos que não combinamos, não precisa promessa, nem distanciamento forçado.

Eu quero paz, não pressa. Então, se sentir que precisa ir, segue sem peso. Mas, se quiser ficar, entra. Se demora. Fica à vontade. Eu passo um café. E sirvo ele quente.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Resenha de "Registros Multiformes do sentir", de José Roberto de Oliveira


Ler "Registros Multiformes do sentir", é como mergulhar em um rio de palavras que fluem entre poesia, conto e reflexão. O autor, José Roberto de Oliveira, nos leva a uma jornada que não é linear, mas cheia de nuances, pensamentos soltos que, ao se encontrarem, formam um mosaico da condição humana. Para mim, esse livro não é apenas uma obra literária, mas um convite ao sentir—e eu sei bem como a literatura tem esse poder de nos transformar.

Cada página traz um novo olhar, uma nova interpretação da realidade, quase como se José Roberto segurasse um espelho diante de nós e dissesse: “Veja-se por outros ângulos.” Há momentos em que a escrita nos acalenta, há outros em que nos provoca, nos sacode, nos tira do lugar-comum. A alternância entre os gêneros dá um dinamismo especial à obra—há contos que nos fazem refletir sobre as complexidades da vida e poesias que tocam fundo na alma, como se traduzissem sentimentos que nem sempre conseguimos colocar em palavras.

Minha conexão com esse livro vai além da leitura. Eu colaborei para que ele chegasse ao mundo, e isso faz com que cada linha tenha um significado ainda mais profundo. Sei o quanto a escrita pode ser um refúgio, uma forma de lidar com a dor, de entender o que parece não ter explicação. E sinto que "Registros Multiformes do sentir", tem essa força: ele não entrega respostas prontas, mas abre portas para que cada leitor encontre as suas próprias.

Se você gosta de livros que conversam diretamente com o coração, que te fazem refletir sobre a vida e sobre si mesmo, essa leitura é essencial. É o tipo de livro para ter sempre por perto, folhear de tempos em tempos e se surpreender com novos significados a cada releitura.

José Roberto de Oliveira nos presenteia com uma obra que não é apenas sobre pensar, mas sobre sentir—e, nesse aspecto, eu me vejo um pouco nela.

Gracciene Farias

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

A Mulher Autossuficiente e o Peso do Silêncio

Ser uma mulher autossuficiente não é uma escolha. Muitas vezes, é uma necessidade imposta pela vida. É aprender, desde cedo, que ninguém virá resolver seus problemas, que as dores e desafios que você enfrenta são seus e de mais ninguém. E, quando se trata de relacionamentos – seja com amigos, familiares ou parceiros – a regra parece ser a mesma: cada um por si.

Vivemos em um mundo onde a individualidade se sobrepõe ao coletivo, onde o "cada um com seus problemas" se tornou o lema de muita gente. As pessoas não querem carregar o peso do outro, não querem se envolver, não querem sentir o incômodo de dividir as dificuldades. No máximo, cobram explicações. "Por que você está assim?" perguntam, como se a resposta fizesse alguma diferença. Você explica, fala sobre suas dores, suas lutas, sua exaustão. E, no fim, o que ouve é um simples "Ah, entendi". E nada muda.

O silêncio, então, se torna uma resposta. Quando uma mulher autossuficiente se cala, é porque a batalha interna é grande demais para ser expressa em palavras. Mas poucos percebem isso. Eles não notam que, por trás do sumiço, da falta de resposta ou da aparente frieza, existe alguém que já se cansou de pedir ajuda. Porque pedir ajuda e ser ignorada dói mais do que enfrentar o problema sozinha.

Curiosamente, a ajuda, quando vem, não costuma vir de quem está perto. Muitas vezes, são pessoas distantes, quase desconhecidos, que estendem a mão. Já aqueles que deveriam se importar, aqueles que convivem, aqueles que dizem se preocupar, estão ocupados demais para perceber a tempestade que se passa dentro de você.

E assim, a mulher autossuficiente segue. Não porque quer, mas porque precisa. Aprende a contar consigo mesma, a segurar as pontas, a se reconstruir quantas vezes for necessário. E, se em algum momento ela decide se afastar, desaparecer por um tempo, não é porque não quer contato. É porque já sabe que a maioria só quer saber o que está acontecendo, mas poucos realmente querem ajudar.
Gracciene Farias 

Amor também é ficar.

O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...