Ser uma mulher autossuficiente não é uma escolha. Muitas vezes, é uma necessidade imposta pela vida. É aprender, desde cedo, que ninguém virá resolver seus problemas, que as dores e desafios que você enfrenta são seus e de mais ninguém. E, quando se trata de relacionamentos – seja com amigos, familiares ou parceiros – a regra parece ser a mesma: cada um por si.
Vivemos em um mundo onde a individualidade se sobrepõe ao coletivo, onde o "cada um com seus problemas" se tornou o lema de muita gente. As pessoas não querem carregar o peso do outro, não querem se envolver, não querem sentir o incômodo de dividir as dificuldades. No máximo, cobram explicações. "Por que você está assim?" perguntam, como se a resposta fizesse alguma diferença. Você explica, fala sobre suas dores, suas lutas, sua exaustão. E, no fim, o que ouve é um simples "Ah, entendi". E nada muda.
O silêncio, então, se torna uma resposta. Quando uma mulher autossuficiente se cala, é porque a batalha interna é grande demais para ser expressa em palavras. Mas poucos percebem isso. Eles não notam que, por trás do sumiço, da falta de resposta ou da aparente frieza, existe alguém que já se cansou de pedir ajuda. Porque pedir ajuda e ser ignorada dói mais do que enfrentar o problema sozinha.
Curiosamente, a ajuda, quando vem, não costuma vir de quem está perto. Muitas vezes, são pessoas distantes, quase desconhecidos, que estendem a mão. Já aqueles que deveriam se importar, aqueles que convivem, aqueles que dizem se preocupar, estão ocupados demais para perceber a tempestade que se passa dentro de você.
E assim, a mulher autossuficiente segue. Não porque quer, mas porque precisa. Aprende a contar consigo mesma, a segurar as pontas, a se reconstruir quantas vezes for necessário. E, se em algum momento ela decide se afastar, desaparecer por um tempo, não é porque não quer contato. É porque já sabe que a maioria só quer saber o que está acontecendo, mas poucos realmente querem ajudar.
Gracciene Farias
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