sábado, 31 de agosto de 2024

A nossa história começa em 2016, num dos momentos mais difíceis da minha vida. Minha mãe, minha fortaleza, estava lutando contra um câncer devastador. Larguei tudo para cuidar dela, pois sabia que era o que precisava ser feito. Eu via nos olhos dela o medo, a dor, mas também a esperança. No domingo, após o Dia das Mães, ela partiu. Uma parte de mim se foi com ela, e o mundo perdeu um pouco do brilho.

Meu irmãozinho, com apenas 4 anos, veio morar comigo. Ele era pequeno, inocente, e mal entendia o que estava acontecendo. Para ele, o mundo era um mistério, e eu, de repente, me tornei seu guia. Ele não sabia, mas naquele momento, ele também se tornou minha razão de viver. A dor de perder minha mãe era profunda, mas eu sabia que precisava ser forte por ele.

Nove meses depois, minha vida desabou de novo. Passei por uma separação difícil, dolorosa. O que já era um momento de luto se tornou uma tempestade de solidão e incertezas. Eu e meu irmão passamos por tempos duros. Houve momentos em que não tínhamos dinheiro suficiente para o básico, nem para comida. Mas nunca faltou amor. Eu olhava para ele e sabia que, apesar de tudo, ele era o motivo pelo qual eu precisava continuar.

Ele crescia, e com cada ano que passava, eu descobria mais sobre ele. Aos 6 anos, veio o diagnóstico: autismo nível 2. Naquele momento, o que muitos enxergariam como um fardo, eu vi como uma oportunidade de amar ainda mais. Ele era diferente, sim, mas também era especial. Sua forma única de ver o mundo me ensinava, todos os dias, a enxergar além das dificuldades. O autismo dele não era um obstáculo, mas uma nova maneira de expressar seu amor.

Hoje, ele tem 13 anos, e a nossa relação é o alicerce da minha vida. Eu o amo como se ele fosse meu filho. Ele me desafia, me ensina e me faz ver o mundo com olhos de ternura. Cada sorriso dele é uma vitória, cada abraço é uma lembrança de que, apesar de tudo o que passamos, o amor sempre prevalece.

Ele é o meu porto seguro, o meu presente da vida, e não há um dia em que eu não agradeça por tê-lo ao meu lado. Ele é o amor da minha vida, e cuidar dele foi o que me deu forças para seguir em frente quando tudo parecia perdido.

Gracciene de Oliveira Farias 

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Cariacica, terra de encanto e lenda,
Onde o Mochuara se ergue, majestoso e sereno,
Guardando histórias de amores antigos,
De uma índia e seu amado, unidos pelo destino.

Suas paisagens, verdes e vastas, se estendem ao olhar,
E a orla que beija o mar, é onde o céu vem descansar.
Serra irmã, na distância, abraça o horizonte,
Enquanto o vento sussurra segredos de um povo que não se esconde.

Povo forte, que já viu dores e desafios mil,
Mas que com respeito constrói seu caminho, gentil.
Em cada esquina, em cada rosto, há uma história de fé,
Cariacica, és mais que um lugar, és alma, força e maré.

Gracciene Farias 

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Sob o manto do céu estrelado, a lua testemunha o amor,
Jaci, a bela princesa, de olhos como as águas da cachoeira,
Desliza entre as pedras, num canto de pureza e esplendor,
Enquanto o destino desenha, na mata, sua teia verdadeira.

Piatã, o jovem guerreiro, forte como o tronco do jequitibá,
A viu em silêncio, sob a cascata, onde a água e a alma se encontram,
Seu coração, antes valente, agora treme como as folhas do sabiá,
Pois nos olhos de Jaci, mundos inteiros se desvendam e se afrontam.

Mas nem sempre o amor floresce onde a inveja cria raiz,
Irani, a irmã, nas sombras, com os olhos queimando em dor,
Desejava para si o brilho que em Jaci sorria tão feliz,
E nas tramas de sua alma, plantou o medo e o rancor.

Na aldeia, Janaína, a mãe de Piatã, endurecia o coração,
Pois o amor que o filho trazia, aos olhos dela, era traição,
“Uma princesa não é digna de meu guerreiro, minha razão,”
E com suas palavras frias, lançou ao vento uma maldição.

Mas o amor, mesmo em tempestade, não se apaga com facilidade,
Jaci e Piatã, sob a luz da lua, sonhavam com a paz entre tribos,
Desejavam mais que o toque, mais que a eternidade,
Sonhavam com a união, onde o ódio se quebraria em fios.

E assim, a cachoeira continuou a cantar, sem temer,
Pois na voz das águas, vive a esperança que não morre,
Mesmo quando as estrelas se escondem, e os corações querem ceder,
Jaci e Piatã, nas lendas, seus nomes o tempo não socorre.

Irani, no fim, chorou por sua inveja, desfeita em pó,
Janaína viu que o amor, mesmo ferido, era sempre maior,
Cariacica guardou nas suas montanhas, e na brisa sem dó,
A lenda de um amor que venceu o rancor.

E hoje, quem passa pela cachoeira, ouve ainda o sussurrar,
De Jaci e Piatã, guerreiros da paz, nas águas, a nos embalar.

Gracciene Farias 

Amor também é ficar.

O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...