terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

No começo era só diversão.
Uma combinação descomplicada, encontros esporádicos e nenhuma promessa.
Acordo silencioso: prazer sem apego, sorrisos sem futuro.

A gente se falava perto do fim de semana.
Quintas ou sextas vinham com aquela mensagem discreta, direta.
Sem cobranças, sem perguntas, só desejo.
E funcionava. Funcionava muito bem.

Até que um dia, ela mandou mensagem numa terça.
Me pegou de surpresa.
Pensei que algo estivesse errado. E estava.
Ela pediu desculpas por incomodar. Queria conversar.
"Como amigos", disse.
Claro que aceitei.

Almoçamos num restaurante simples.
Sem pressa.
Ela desabafou — sobre a casa, o trabalho, o cansaço que não dava trégua.
O sorriso estava ali, mas cansado.
Os olhos ainda brilhavam, mas pareciam pedir colo.

Eu ouvi.
Brinquei um pouco, fiz piadas bobas.
E no meio de tudo, disse que ela era forte, mesmo sem perceber.
Que dias ruins passam.
E que ela não precisava enfrentar tudo sozinha.

Na saída, nos abraçamos.
Foi diferente.
Não teve pressa, não teve desejo escondido.
Teve cuidado.
Havia roupa entre nossos corpos, mas também havia verdade.
E foi nesse toque, coberto de afeto, que alguma coisa mudou.

Ela voltou ao trabalho.
Eu fui para casa.
Mas deixamos algo ali, naquele abraço.

Hoje faz cinco anos daquela terça-feira.
Desde então, nunca mais fomos só um caso de fim de semana.

Hoje ela é minha esposa.
Mãe do nosso pequeno craque de futebol.
Rainha da melhor lasanha do bairro.
E minha melhor amiga  ainda.

Agora há pouco, passou aqui na sala, bagunçada de coque no cabelo, perguntando se já levei nosso filho pro treino.
Quer terminar logo o episódio da série que a gente assiste juntos, debaixo do cobertor.

Engraçado...
Ela já me encantou com decotes, maquiagem, perfumes.
Mas foi naquele dia, com a blusinha simples, o olhar cansado e o coração aberto, que ela me conquistou de verdade.

Porque às vezes, o amor da sua vida não chega com flores nem promessas.
Às vezes, ele está do seu lado o tempo todo, só esperando você acordar, 
e perceber.


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