Eu até parei de fazer planos de relacionamento. Não porque não quero, mas porque parece que, quanto mais planejo, menos dá certo. Resolvi focar em outras coisas, deixar que a vida aconteça sem tanta expectativa. Mas tem algo curioso sobre ser mulher – ou, talvez, seja só sobre ser eu. A gente conhece alguém e, quase sem perceber, começa a desenhar um futuro inteiro. É como se cada sorriso, cada palavra dita no momento certo, fosse um tijolo de um castelo que construo dentro de mim. E o engraçado – ou trágico – é que eu já decoro esse castelo com véu e grinalda.
Sou muito emocionada? Talvez. Ou talvez as pessoas saibam exatamente o que dizer para me fazer sonhar. Elas falam o que eu quero ouvir, e eu... Ah, eu dou a brecha, claro que dou. Porque, no fundo, quero acreditar. Quero acreditar que, dessa vez, pode ser real. E aí, antes mesmo de perceber, estou lá, de noiva, na minha cabeça, com um futuro inteiro planejado.
Já me perguntei: será que estou errada? Será que é um exagero, uma ingenuidade minha? Ou será que isso é algo que muitas vivem e só não têm coragem de admitir? Não sei a resposta. O que sei é que esse jeito de sonhar, de planejar, me expõe, me vulnerabiliza. Mas também me dá um pouco de esperança. E talvez, no fim, seja disso que eu preciso: esperança, mesmo que às vezes ela se confunda com ilusão.
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