segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Eu tenho a impressão de que minha vida é feita de inacabados. Tudo o que começo, por mais simples que seja, parece ficar pela metade. Uma tarefa em casa, por exemplo. Eu arrumo, organizo, me esforço... mas sempre sobra algo fora de lugar, algo que deixo para depois. É como se existisse uma resistência invisível que me impede de cruzar a linha de chegada.

E isso não acontece só com as coisas. Na verdade, parece ser um reflexo de tudo: relacionamentos, amizades, planos. Sempre há uma lacuna, um silêncio que fica por preencher. Não sei se é medo, não sei do que eu fujo... mas é como se eu estivesse fadada a nunca concluir o que começo, a nunca permanecer. Talvez, em algum nível, eu acredite que não mereço. Ou talvez seja o mundo que, em sua constante incompletude, me moldou assim.

As pessoas nunca ficaram comigo de verdade. Sempre houve algo implícito, algo que pairava no ar, como se a conexão fosse só um meio para algum fim que eu não conseguia enxergar. Um interesse oculto, um motivo que eu nunca soube decifrar. Por que o ser humano é assim? Por que tudo parece tão condicionado a trocas, a negociações disfarçadas de afeto?

Mas será que é culpa minha? Será que eu também sou esse tipo de ser humano que condeno? Ou será que, no fundo, só estou projetando? Não sei dizer. Só sei que há uma solidão incômoda, como um espaço entre duas notas que nunca se encontram. Eu espero. Espero preencher esse espaço. E, enquanto espero, continuo deixando para depois.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Respirar...

Eu preciso respirar

Soltar essas mãos que me prendem,
Que puxam meus cabelos,
Ferem minha pele,
Secam meus olhos,
Violam minha voz
E tentam sufocar meus sentimentos.

Eu preciso correr

Caminhar por campos vazios,
Marcar a terra úmida com minhas pegadas,
Respirar o perfume das flores,
Tocar as folhas com a ponta dos dedos
E libertar meus pensamentos ao vento.

Eu preciso escrever

Escrever alivia a dor,
Acalma as mãos inquietas,
Arranca do peito o coração —
E o entrega a quem quiser lê-lo.
Está ali, entre cada palavra,
O sangue pulsa nas vogais,
As sílabas são veias e artérias,
E os versos, fraturas expostas.
Os olhos de quem lê são minha tipóia,
E o que escrevem de volta — meu anestésico.
Se, ao menos, despertam uma emoção
Em algum silêncio adormecido...

Eu preciso viver

Descobrir, enfim,
O que significa
viver.

Gracciene Farias

Amor também é ficar.

O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...