Eu preciso respirar
Soltar essas mãos que me prendem,
Que puxam meus cabelos,
Ferem minha pele,
Secam meus olhos,
Violam minha voz
E tentam sufocar meus sentimentos.
Eu preciso correr
Caminhar por campos vazios,
Marcar a terra úmida com minhas pegadas,
Respirar o perfume das flores,
Tocar as folhas com a ponta dos dedos
E libertar meus pensamentos ao vento.
Eu preciso escrever
Escrever alivia a dor,
Acalma as mãos inquietas,
Arranca do peito o coração —
E o entrega a quem quiser lê-lo.
Está ali, entre cada palavra,
O sangue pulsa nas vogais,
As sílabas são veias e artérias,
E os versos, fraturas expostas.
Os olhos de quem lê são minha tipóia,
E o que escrevem de volta — meu anestésico.
Se, ao menos, despertam uma emoção
Em algum silêncio adormecido...
Eu preciso viver
Descobrir, enfim,
O que significa
viver.
Gracciene Farias
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