Nas calçadas simples da nossa infância,
Crescemos juntos, traçando rumores
De sonhos no bairro, na velha constância.
Na rua pequena, onde o sol deitava,
Brincávamos livres, sem pressa do tempo,
Dividindo risos, o olhar confessava
O amor escondido, guardado por dentro.
No caminho à escola, passos em rima,
Desenhávamos juntos o nosso futuro,
Mas a vida, teimosa, impôs sua sina,
E o amor calou-se, sob o véu escuro.
Hoje seguimos em estradas distantes,
Mas guardo comigo as tardes serenas,
Os sorrisos puros e sonhos dançantes,
De um amor impossível, que o tempo envenena.
Sei que há vidas que não se entrelaçam,
Mas o peito guarda, no fundo, a centelha,
Desse amor sincero, que o destino abraça,
Como um sonho de infância, que ainda me espelha.
Gracciene Farias