Montei em minha cabeça uma história onde nós dois passearíamos de mãos dadas com nossas mochilas nas costas, e depois tomaríamos sorvete na praça do centro. Seríamos felizes para sempre, e moraríamos num castelo alto, onde eu teria um quarto na torre e um vestido rosa, afinal, era isso que os livros diziam.
A Cinderela se tornou uma moça tão linda que parou o baile e também o coração do príncipe, não foi? Então, porque não eu parar o tempo na vida de alguém também?
Os anos passaram, e hoje com algumas dores de cabeça, devido o estresse do trânsito, algumas espinhas por conta do chocolate e alguns dias em que só quero ficar de pijama dentro da minha própria casa, como se não existisse mundo lá fora, sei que as histórias dos livros e as da vida real são bem, bem diferentes umas das outras.
Sabe, quando a gente começa a descobrir o amor, ilude-se com a ideia de que ele será a melhor coisa de nossas vidas, capaz de nos fazer ir além e conquistar uma nova perspectiva, e voar com os pés no chão, e…
E depois a gente descobre que o amor não é um livro de autoajuda e nem uma religião. Amor é um sentimento entre duas pessoas, e tudo o que envolve duas pessoas terá problemas, conflitos, dores, discussões e momentos difíceis, afinal, somos diferentes um do outro, e é isso que faz as coisas darem certo.
É difícil compreender que os momentos mais complicados são os que mais nos fazem crescer, mas é preciso. Quando algo nos confronta, saímos de nossa zona de conforto, e isso é o que nos faz alcançar o que há de mais profundo dentro de nós mesmos.
Na segunda fase do amor, após o coração ser partido umas duas ou três vezes, passamos a encará-lo como um prêmio. O amor é para os fortes, para os que tentam sem desistir, sem medo e sem olhar para trás.
Passamos a pensar no amor como um jogo onde só sobrevive quem tem muita vontade, e muita fé também. E então, quando nos disponibilizando a vencer este jogo a ficha cai, e percebemos que amor não são jogos mortais, nem jogos vorazes, e muito menos sorteio da mega da virada.
Não importa quais seus números, ou o quanto você investiu, e nem mesmo se sangrou tentando ir além. Se estiver jogando sozinho, jamais vencerá. E aí é vez da dor da frustração tomar lugar e nos dizer que somos incapazes de manter uma relação.
Quando percebemos que os anos estão passando e nenhuma de nossas relações se manteve em pé, a sensação de incapacidade toma um espaço extremamente grande em nós e vem dizer que todos os nossos amigos estão namorando e casando, e você continua aí, sozinho no sábado à noite, almoçando com seus pais no domingo.
E aqui entra a terceira fase, quando já estamos cansados de ofertar oceanos de amor e em troca receber gotas de orvalho. Quando toda nossa intensidade foi transformada em desconfiança, e se antes havia bom dia com direito á coração, agora, por medo, e por pensar já saber de cor o roteiro, há apenas respostas, claro, se a outra pessoa enviar a primeira mensagem.
A terceira fase é aquela em que já estamos tão acostumados com a solteirice que temos na ponta da língua os benefícios de não ter alguém, e além disso, os recitamos quando questionados sobre estar só há tanto tempo. A terceira fase é a cicatrização das feridas abertas durante as outras duas, e talvez por isso seja tão dura, escura e solitária. Aqui, você já está cansado de acreditar, exausto de lutar. Já sabe que não há príncipes encantados, nem princesas adormecidas, e a loteria é uma farsa criada pelo banco para ganhar dinheiro.
Aqui você já passa o whats errado para que a pessoa nunca o (a) encontre, e ri disso. Aqui você se nega a abrir a porta da casa e também a do coração com medo de que tudo se repita, e aquelas noites mal dormidas voltem a lhe importunar, mas diz de boca cheia que,
E é aqui que a nossa conversa começa.
Eu sei que você está cansado, e que já riu, sorriu, respirou fundo e talvez tenha até chorado lendo este texto, mas olha, fique mais um pouquinho; eu garanto que não vou pôr o dedo nas feridas.
Se você veio ler este texto, é porque em algum lugar, lá no fundo, talvez no pâncreas ou na unha do dedão do pé, ainda acredita nessa coisa bonita e esquisita, vulgo amor.
Tem uma parte sua que acredita firmemente que algum dia, num desses encontros casuais, alguém pode chegar e juntar-lhe os pedaços espalhados, sem primeiro quebrar ainda mais as coisas.
Então, hoje, eu estou aqui, ouvindo Boyce Avenue, e olhando algumas árvores à minha frente enquanto escrevo para você e para mim que vai chegar alguém. Vai, vai sim. E esse alguém vai segurar sua mão, e abraçá-lo (a) forte, quando você tiver medo de pegar a estrada. E juntos vocês vão comprar uma penteadeira amarela para decorar o quarto do ap, e também vão ao cinema assistir à adaptação daquele livro que você tanto gostou. E aos domingos vão almoçar e conhecer um lugar novo, ou simplesmente dormir o dia todo e terminar com aquela pizza de mussarela que ficou na geladeira.
E, também, discutirão por ciuminho bobo e ficar horas decidindo em que casa passarão o natal e o ano novo. E, às vezes, passarão um tempo sem conversar para refrescar a cabeça, mas bem, é melhor refrescar a cabeça do que sentir uma frigideira voando em sua direção. E também vai acontecer de você não concordar com uma roupa, e achar melhor comer no restaurante de sempre, do que ir ao novo, mas fazer o que, é a vida né?
Talvez, aos seus olhos, esteja demorando demais, mas já dizia uma postagem de facebook “Deus não demora, ele capricha”. Antes de chegar braços que o (a) abriguem, haverá os que os (as) obriguem, para que você se dê conta de como é importante a tal liberdade, e saiba dá-la ao outro, e também a si mesmo. As dores enfrentadas até agora o estão fortalecendo, transformando, tornando mais humano, e mais compreensivo também. Ninguém passa por nossas vidas ao acaso, sempre há uma lição a aprender.
Por isso, enquanto espera a chegada desse ser, torne-se o amor que você espera receber. Se deseja ser compreendido, torne-se uma pessoa compreensiva; se quer um amor aventureiro, viva aventuras; se o que mais deseja é ter um esposo/esposa amável, que o (a) trate como prioridade, prepare-se para ser exatamente isso na vida do outro.
Não perca a oportunidade de amar alguém devido os traumas passados. Continue, não tenha pressa. Vai aparecer, eu garanto que vai. Um novo sorriso, um novo olhar, um novo abraço, e um novo cheiro também. Vai aparecer um novo motivo para acreditar, para lutar, para amar.
Quando você menos esperar, virando a esquina haverá um coração batendo não mais acelerado, nem mais devagar, mas no mesmo ritmo que o seu, e isso é o que fará com que você perceba e compreenda que todos os amores vividos, sejam eles alegres ou um pouco mais duros, prepararam-no para a chegada do amor por quem você tanto esperou.