quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
sábado, 11 de fevereiro de 2023
"Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter... calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida." (Clarice Lispector)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023
Corpos grandes e invisíveis: a solidão da mulher gorda!
Me conta aqui, rapidinho: quantas vezes por dia alguém segura a porta do elevador e espera você entrar? Consegue enumerar quantas vezes recebeu flores de pretendentes? Quantas vezes o motorista do táxi ou Uber desceu, pegou sua mala e guardou no porta-malas? E quantas vezes te pagaram um drinque numa balada?
Quando as pessoas te veem na rua, elas desviam de você ou vão de encontro, ignorando seu corpo existente ali? Se você se perdeu e não conseguiu responder sim a nenhuma destas questões, talvez você seja como eu: uma mulher gorda.
A falta dessas gentilezas desemboca num lugar solitário. A mulher que está acima do peso considerado adequado pelo padrão vigente está condenada a ser invisível – apesar do tamanho do seu corpo.
Eu tenho 30 e poucos, mas só recentemente entendi que ter me tornado autossuficiente em muitas coisas, como viajar sozinha, sair para jantar sozinha, ir ao cinema sozinha, trocar o chuveiro, o botijão de gás talvez não tenha sido exatamente uma escolha, mas sim uma imposição pela falta de afeto e gentileza.
E aprendi a me divertir sozinha, afinal, é mais fácil garantir uma vaga no curso de medicina da USP do que encontrar alguém disposto a sair em público com uma mulher gorda.
Nunca tive um relacionamento saudável e atribuo isso ao fato de ser uma mulher gorda. O sonho de passear de mãos dadas com alguém na direção do pôr do sol foi substituído pela foto – sozinha – na mesma direção, seguida do texto empoderador que diz: podemos ser tudo o que quisermos. E é verdade. Mas e se quisermos ser amadas? Daí fica mais difícil, porque existe um impedimento social.
É comum vermos mulheres gordas em relacionamentos abusivos
Por mais que eu mesma me ame, não existe amor-próprio suficiente que faça com que outra pessoa sinta o mesmo. E não estou falando de me desejar em segredo, porque isso acontece, mas de me assumir publicamente e ter orgulho de viver comigo.
Algumas pessoas devem estar pensando que “puxa, é uma pena, mas não gosto mesmo de pessoas gordas”. Mas aqui é muito importante lembrar que gosto é uma construção social e isso recai sobre todos nós, mesmo que a gente não queira ou não perceba. A construção da imagem “idealizada” do que é ser uma mulher bonita, hoje, está distante de um corpo gordo, esse ideal é todo baseado na supremacia do corpo magro ou sarado como se fosse o único saudável e possível de ser desejado.
Falando em desejo, vamos esbarrar ainda em algo mais complexo: o querer punitivo. Até vão desejar seu corpo, porque não é difícil encontrar parceiros sexuais. Mas eles vão querer te punir por despertar isso. Dá pra entender? É como se esse desejo fosse errado e a culpa é sua que despertou. Cruel. Aí, a gentileza dá lugar ao sadismo, à exploração, à objetificação, ao fetichismo, à servilidade e nunca o que vem é carinho ou cuidado.
É por isso que é tão comum vermos mulheres gordas em relacionamentos abusivos. Por dentro chego a me questionar se relacionamento não-abusivo existe mesmo. Ser uma mulher gorda que não se desculpa por existir, que não está de dieta e nem escondida em casa cai como um insulto aos que acham que merecem mais a felicidade do que os corpos dissidentes.
Ter a consciência da negação do afeto é tão doloroso quanto saber que, se não se curvar aos padrões esperados, estará condenada a uma vida de solidão e relacionamentos tortos. Ocupar este lugar no mundo e viver este corpo é, de fato, um caminho solitário, mas falar sobre isso e segurar na mão de quem sente a mesma dor pode ser reconfortante. Vem?
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
Que sejamos presentes em memórias alheias. Que alguém já distante lembre-se do nosso sorriso e se sinta acolhido. Que o nosso bem faça bem ao outro. Que sejamos a saudade batendo no peito de uma velha amizade. Que sejamos o amor que alguém nunca esqueceu. Que sejamos um alguém que sorriu na rua e o desconhecido encantou-se. Que sejamos, hoje e sempre, uma coisa boa que mora dentro de cada um que passou por nós.
Amor também é ficar.
O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...
-
A saúde pública no Espírito Santo atravessa uma grave crise que tem afetado diretamente a vida de milhares de capixabas. A situação precária...
-
Na minha casa, há dois passarinhos. Pequenos, frágeis, silenciosos. Eles não cantam. Não chilreiam pela manhã, não assobiam ao entardecer. A...