A primeira coisa que faço todas as manhãs é abrir a janela. E ali está ele: o mar, com seu azul profundo e seu brilho. Eu tomo meu café com ele, compartilho meu silêncio, meu primeiro sorriso do dia. A cada gole, sinto que ele me oferece algo em troca – uma paz silenciosa que não encontro em nenhum outro lugar. Quando o sol nasce por trás das montanhas de Vitória, parece que o dia desperta em cores só para mim, tingindo as águas e as ondas em tons dourados, como um presente que só quem mora aqui tem a sorte de receber.
No Alto Boa Vista, o mar é meu refúgio, meu confidente. Quando estou triste, lanço meu olhar para as ondas e encontro ali uma calma que acalma a alma. Quando estou feliz, ele celebra comigo, refletindo as luzes de um dia novo, como se me sussurrasse que a alegria é ainda maior quando partilhada com o infinito. O mar me acolhe em todas as fases – seja na leveza ou na tempestade.
Viver aqui é como habitar uma poesia, onde o vento sussurra histórias e o horizonte parece se abrir para os sonhos. Cada pôr-do-sol é um espetáculo, e cada nascer é uma nova esperança. No Alto Boa Vista, aprendi que, ao olhar para o mar, estou olhando para o que há de eterno. Ele me ensina sobre a grandeza do mundo e me lembra que, mesmo nos dias difíceis, há beleza esperando do lado de fora da janela.
Gracciene Farias