terça-feira, 24 de abril de 2018

Alto Boa Vista (2)

Morar no Alto Boa Vista é ter o privilégio de acordar todos os dias com uma paisagem que parece pintada à mão, onde o horizonte se transforma em tela, e o mar... o mar é sempre o protagonista. Para mim, este lugar não poderia ter outro nome, pois realmente oferece a vista mais bonita do mundo. É daqui que vejo a Baía de Vitória se estender em toda a sua serenidade. E, ao longe, os barcos – pequenos e grandes – parecem deslizar como se pertencessem a um mundo próprio, onde o tempo corre mais devagar, como um lembrete sutil para também desacelerar.

A primeira coisa que faço todas as manhãs é abrir a janela. E ali está ele: o mar, com seu azul profundo e seu brilho. Eu tomo meu café com ele, compartilho meu silêncio, meu primeiro sorriso do dia. A cada gole, sinto que ele me oferece algo em troca – uma paz silenciosa que não encontro em nenhum outro lugar. Quando o sol nasce por trás das montanhas de Vitória, parece que o dia desperta em cores só para mim, tingindo as águas e as ondas em tons dourados, como um presente que só quem mora aqui tem a sorte de receber.

No Alto Boa Vista, o mar é meu refúgio, meu confidente. Quando estou triste, lanço meu olhar para as ondas e encontro ali uma calma que acalma a alma. Quando estou feliz, ele celebra comigo, refletindo as luzes de um dia novo, como se me sussurrasse que a alegria é ainda maior quando partilhada com o infinito. O mar me acolhe em todas as fases – seja na leveza ou na tempestade.

Viver aqui é como habitar uma poesia, onde o vento sussurra histórias e o horizonte parece se abrir para os sonhos. Cada pôr-do-sol é um espetáculo, e cada nascer é uma nova esperança. No Alto Boa Vista, aprendi que, ao olhar para o mar, estou olhando para o que há de eterno. Ele me ensina sobre a grandeza do mundo e me lembra que, mesmo nos dias difíceis, há beleza esperando do lado de fora da janela.

Gracciene Farias

Amor também é ficar.

O amor, para mim, nunca foi um conto de fadas. A vida me ensinou muito cedo que amar também é atravessar tempestades. Carrego cicatrizes in...