E então você chega em casa,
e não há ninguém te esperando.
O celular está silencioso — sem mensagens,
sem notificações, sem convites.
Você prepara seu banho,
veste um roupão macio,
serve uma taça de vinho
e se pergunta, em silêncio:
isso é solidão ou liberdade?
Sentir falta de alguém em uma tarde chuvosa de sábado é normal.
Ninguém é imune ao vazio.
Mas, às vezes, essa ausência é menos abandono e mais proteção.
Com o tempo, a maturidade nos tira as vendas.
Aqueles olhos ansiosos, que antes buscavam amor em cada promessa apressada,
agora veem com mais calma, com mais clareza.
A solitude é um presente que a maturidade oferece.
Às vezes chega aos 30, outras vezes aos 22,
e em alguns casos, nunca chega.
No começo, parece estranho não sofrer por ninguém,
não esperar mensagens, não sentir aquela falta desesperada.
Mas então você observa
as relações ao redor,
as brigas pequenas, as dores desnecessárias,
os ciclos que se repetem.
E começa a se perguntar se vale a pena se perder para se entregar.
Sem perceber, você chega sozinho ao território da liberdade.
E, vencida a etapa da solidão,
você se sente inteiro.
Não metade de nada.
Inteiro. Completo. Seu.
Existem dois momentos decisivos na vida:
quando se encontra o amor em outra pessoa
e quando se encontra o amor dentro de si.
Solidão ou solitude,a escolha é sua.
E ao se colocar em primeiro lugar,
talvez pareça egoísmo aos olhos de quem ainda não se achou.
Mas só você sabe quantas vezes precisou reconstruir o coração
até que ele voltasse a bater sozinho.
O amor-próprio é a revolução silenciosa das relações de hoje.
E que um dia, você possa encontrar o seu,
sem medo, sem pressa,
e de alma inteira.
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